No âmbito da Ação E2 – Disseminação técnica, transferência e replicação do Projeto, o projeto LIFE IP AZORES NATURA participou no SELINA online dialogue – Connecting science, policy and practice: ecosystem condition indicators in ecosystem assessments and accounting.
A sessão teve como objetivo apresentar os avanços mais recentes do projeto SELINA no desenvolvimento de indicadores que permitem a avaliar o estado dos ecossistemas. Foram também partilhados exemplos práticos, incluindo um estudo sobre a condição das florestas da ilha de São Miguel. Adicionalmente, decorreu um momento de troca de ideias entre especialistas, centrado nos desafios e oportunidades associados à aplicação destes indicadores, nas necessidades identificadas no terreno e na utilização de dados de satélite combinados com verificações locais.
Durante a sessão, o LIFE IP AZORES NATURA, projeto coordenado pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, contribuiu para a discussão sobre a definição da condição de referência para habitats de vegetação natural, ou seja, o estado ecológico que os ecossistemas apresentariam na ausência de influência humana significativa. Este estado caracteriza-se pela predominância de espécies nativas e endémicas, pelo equilíbrio estrutural e pelo funcionamento adequado dos processos ecológicos, incluindo a regeneração natural.
Nos Açores, esta condição de referência é reconstruída com base em dados históricos, na análise de áreas bem conservadas e no conhecimento científico disponível. Esta abordagem é particularmente relevante num contexto em que muitos habitats se encontram degradados devido à presença de espécies exóticas invasoras, ao pastoreio, às alterações da paisagem e à pressão turística.
O projeto tem vindo a aplicar este conceito na recuperação de habitats, funcionando como base para a definição de objetivos de restauro ecológico e para a avaliação da eficácia das intervenções implementadas no âmbito do LIFE IP AZORES NATURA. De forma geral, a utilização de uma condição de referência permite orientar intervenções de restauro mais eficazes, contribuindo para aumentar a resiliência dos ecossistemas e promover a conservação da biodiversidade a longo prazo.
Com o apoio financeiro do Programa LIFE da União Europeia.