A gestora do projeto LIFE IP AZORES NATURA, coordenado pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, participou recentemente na reunião do Conselho Consultivo do Parque Natural de Ilha de São Jorge, onde foram apresentados os principais resultados e os progressos das ações de conservação desenvolvidas na ilha.

Os trabalhos têm incidido maioritariamente na Fajã dos Cubres e no Ilhéu do Topo, abrangendo também o acompanhamento das espécies protegidas pela Diretiva Habitats, através da monitorização das pressões a que estão sujeitas e da implementação de medidas de reforço populacional.

Relativamente ao Ilhéu do Topo, não se registaram desenvolvimentos durante o último período, encontrando-se as intervenções dependentes da conclusão do processo atualmente em apreciação judicial.

Desde o início do projeto, foram já recolhidos cerca de 2,5 quilogramas de sementes de 23 espécies-alvo, contribuindo para a conservação da flora nativa e para a produção de plantas destinadas a ações de restauro ecológico.

Destaca-se igualmente o reforço significativo da capacidade de produção de plantas pelo Serviço de Ambiente e Ação Climática de São Jorge (SAACSJ), permitindo aumentar a autonomia da ilha no fornecimento de diversas espécies herbáceas protegidas e endémicas. A maioria das plantas produzidas já se encontra em vaso e será utilizada nas ações de plantação previstas para o final deste ano, reduzindo também os custos associados ao transporte de plantas a partir do Jardim Botânico do Faial.

Este importante resultado deve-se, em grande medida, ao empenho e dedicação da equipa do SAACSJ e dos seus vigilantes da Vigilantes da Natureza.

No âmbito das ações de recuperação de habitats, foram já plantados 5.536 exemplares desde o início do projeto, dos quais 1.682 em 2026.

Foi ainda assinalada a conclusão dos passadiços da Lagoa dos Cubres, uma infraestrutura que contribuirá para a valorização e proteção deste importante ecossistema.

Relativamente ao controlo de espécies exóticas invasoras, o projeto registou a remoção de 20,4 hectares de áreas invadidas, incluindo ações de manutenção, abrangendo um total de 17 espécies exóticas invasoras.

Os dados mais recentes apontam igualmente para uma tendência positiva na qualidade das massas de água da Lagoa dos Cubres, situação que poderá estar relacionada com o aumento da comunicação entre as duas lagoas, na sequência dos trabalhos de abertura dos canais realizados pela equipa do SAACSJ. Estas intervenções têm favorecido a renovação da água e contribuído para a redução da acumulação de nutrientes, criando condições mais favoráveis à conservação deste ecossistema.

Esta evolução reveste-se de particular importância para a melhoria do estado de conservação do habitat prioritário «Lagunas costeiras» (1150), protegido ao abrigo da Diretiva Habitats presente na Lagoa dos Cubres. Com o apoio financeiro do Programa LIFE da União Europeia.