Educação Ambiental

No âmbito do projeto prevê-se uma série de trabalhos de sensibilização, indo de encontro aos objetivos do projeto e à necessidade de conservação da biodiversidade junto do público escolar.


Principais pressões e ameaças das baleias-de-barbas

15/04/2021 - SRAAC

As baleias-de-barbas têm sofrido, desde há muito, com pressões antropogénicas. No passado, estes animais foram severamente afetados pela prática da baleação, atividade económica muito importante entre os séculos XVI e meados do séc. XX. Nos Açores, a baleação também existiu, tendo como alvo o cachalote, e não as baleias-de-barbas. Admite-se que em certos locais, devido a esta prática, algumas espécies tenham visto reduzidas as suas populações quase até à extinção tendo, no caso da baleia-azul, apenas sobrevivido 1% da população mundial. Felizmente, devido a um esforço de conservação global por parte de entidades não-governamentais, governamentais e comunidade científica, foi possível promover uma recuperação gradual destas populações, não obstante continuarem a ser alvo de pressões por diversas atividades humanas.

A ameaça mais importante a que as baleias-de-barbas estão sujeitas é a colisão com embarcações, sendo reconhecida como a principal causa de morte atualmente. Durante a época reprodutiva, em zonas de alimentação, ou ao longo de rotas de migração sazonal, o risco de colisão com embarcações pode ser elevado, em especial em áreas com densidades de tráfego marítimo elevadas.

Outras pressões a que estas baleias se encontram sujeitas são o enredamento em artes de pesca, a ingestão de lixo marinho, o ruído, a poluição, a importunação por parte de atividade marítimo-turística, e a médio-longo prazo, as alterações climáticas. Apesar de todas estas ameaças também se verificarem nos Açores, o seu nível atual de risco é ainda desconhecido. Por essa razão, o projeto LIFE-IP Azores Natura procura aumentar o conhecimento sobre os níveis de ameaça a que estes animais estão sujeitos, de modo a orientar a adoção de medidas concretas para melhorar o seu estado de conservação.

Fotografia: Richard Sears


Baleias-de-barbas no arquipélago dos Açores

08/04/2021 - SRAAC

As baleias-de-barbas são cetáceos pertencentes à sub-ordem dos Misticetos, designação que se deve à presença de placas de queratina na maxila superior, daí o nome genérico que se lhes atribui, baleias-de-barbas; tratando-se de animais desprovidos de dentes, contrariamente ao que sucede com os cachalotes (Physeter macrocephalus). Consoante a espécie, cada indivíduo pode possuir entre cento e cinquenta a trezentos e cinquenta pares de barbas, variando a sua coloração entre o preto ou castanho-escuro, e o amarelo ou branco, com tamanhos variando entre os trinta centímetros, no caso da baleia-cinzenta (Eschrichtius robustus) e os quatro metros de comprimento no caso da baleia-da-Gronelândia (Balaena mysticetus). Outra característica que distingue estas baleias dos restantes grupos de cetáceos é a existência de um espiráculo (orifício respiratório) duplo, localizado verticalmente na cabeça.

Algumas das espécies pertencentes a este grupo são dos maiores animais que alguma vez existiram. O seu tamanho médio é variável, sendo a mais pequena, a baleia-franca-pigmeia (Caperea marginata) com seis metros de comprimento e três toneladas de peso, e a maior, a baleia-azul (Balaenoptera musculus) com cerca de trinta metros de comprimento e cento e noventa toneladas de peso. Normalmente, apresentam algum dimorfismo sexual, sendo as fêmeas geralmente, maiores que os machos. Estes indivíduos utilizam as barbas para filtrar o seu alimento, maioritariamente zooplâncton (incluindo o krill) e pequenas espécies de peixes.

No hemisfério norte, a reprodução das baleias-de-barbas dá-se maioritariamente nos meses de inverno, com os nascimentos a ocorrerem um ano depois. O tempo de permanência das crias com a sua progenitora varia entre apenas alguns meses ou até 1-5 anos. Durante a primavera, efetuam migrações de longa distância entre as zonas de reprodução localizadas em águas tropicais e sub-tropicais, e as zonas de alimentação, em águas frias nas latitudes mais elevadas. É durante esta migração que ocorrem nos Açores, sendo avistadas frequentemente entre março e junho. Esta é, portanto, a melhor altura do ano para observar estes animais nas nossas águas! Das dezasseis espécies de misticetos reconhecidas mundialmente, sete delas já foram registadas nos Açores, sendo as mais frequentemente avistadas a baleia-comum (Balaenoptera physalus), a sardinheira (Balaenoptera borealis) e a baleia-azul. Se bem que a baleia-de-bossa (Megaptera novaeangliae) e a baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) também têm ocorrido com regularidade.

A organização social destes animais ainda é pouco conhecida, com algumas espécies a formarem grupos com poucos indivíduos, e outras a serem mais solitárias. No entanto, alguns indivíduos podem formar associações temporárias em locais de grande abundância de alimento, ou durante a época de migração.


Cachalote, um mamífero marinho emblemático dos Açores

04/03/2021 - SRAAC

Nas águas dos Açores, os cachalotes podem ser avistados durante todo o ano, tornando o Physeter macrocephalus uma espécie emblemática e que tem influenciado fortemente a cultura açoriana. As fêmeas desta espécie têm dimensões geralmente menores que os machos adultos, medindo entre dez e doze metros de comprimento e pesando de treze a vinte toneladas, enquanto que os machos podem chegar, no Atlântico Norte, aos 16 metros de comprimento (18 metros para a população mundial, sendo vinte metros o máximo reportado até hoje para a espécie, no entanto não existem registos de animais com esse tamanho nos Açores). No hemisfério norte, a reprodução dos cachalotes dá-se maioritariamente nos meses de verão, com os nascimentos a ocorrerem entre o verão e o outono. Alimentam-se a grandes profundidades e, nas latitudes médias como as dos Açores, a sua dieta é constituída essencialmente por lulas e polvos. Se bem que os machos possam ser menos exigentes na sua dieta. A organização social dos cachalotes é complexa e todos os machos adultos podem ser reprodutores. A estratégia de acasalamento pode variar, consoante a maturidade social dos animais e o seu tamanho. Nos Açores, podemos observar todos os segmentos da população, incluindo grupos matriarcais de fêmeas e crias, grupos de machos e grandes machos solitários.

Fotografia: DOP/Universidade dos Açores


TOP 5 “As mais raras espécies endémicas dos Açores” – Parte 1

26/02/2021 - SRAAC

Uma espécie endémica é aquela que apenas ser encontrada num determinado local, neste caso do arquipélago dos Açores. O endemismo é normalmente causado por uma barreira física, climática e biológica que delimitem com eficácia a distribuição de uma espécie ou provoquem a sua separação do grupo original. No caso dos Açores, existem muitos endemismos associados à nossa região devido ao facto das nossas ilhas, delimitadas por mar, e com alguma distância do território continental, apresentarem-se como autênticos hotspots de biodiversidade e propensos ao surgimento de endemismos. A lista que abaixo apresentamos é uma amostra das nossas espécies endémicas mais raras. Este não será um Top 5 qualquer, uma vez que existem, nos Açores, muitas espécies endémicas raras, este Top terá de ser dividido em 2 partes. O que se segue é o Top 5 das mais raras espécies endémicas dos Açores – Parte 1.


Faz a tua máscara de Carnaval com o LIFE IP AZORES NATURA

12/02/2021 - SRAAC

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Existem fetos de água nos Açores?

08/02/2021 - SRAAC

Isoetes azorica é um feto aquático, com morfologia semelhante a uma gramínea. Os caules são curtos, as folhas longas e estreitas, podendo crescer até aos 40 centímetros de comprimento, onde os esporângios se encontram na base da folha. É uma espécie de ocorrência rara presente em pequenas lagoas, na sua generalidade geral acima dos 500 metros de altitude. É observada em povoamentos densos desde a margem das lagoas até aos 3 metros de profundidade. Está presente em todas as ilhas dos Açores exceto em São Miguel, Santa Maria e Graciosa, sendo o seu estado de conservação considerado, atualmente, como vulnerável. Desta forma, o LIFE IP Azores Natura irá desenvolver trabalhos para melhorar o estado de conservação desta espécie através da ação C3.1 “Implementação de trabalhos piloto para a conservação de flora endémica – Conservação ex-situ”, nomeadamente através de: i) protocolos de propagação ensaiados e validados; ii) instalar populações viáveis no Jardim Botânico do Faial.


TOP 5 – As espécies de flora invasoras mais perigosas que existem nos Açores

29/01/2021 - SRAAC

As espécies invasoras são uma das principais preocupações no que concerne à conservação do património natural dos Açores. Seja pela competição com as espécies nativas; riscos de hibridação; mudanças físicas e químicas no solo; modificações nos habitats naturais; ou pela propagação de pragas e doenças, as espécies exóticas são uma das principais causas da perda de biodiversidade nos Açores. Por essa razão, o LIFE IP Azores Natura pretende implementar uma estratégia de combate às espécies invasoras em áreas protegidas terrestres, através da ação C8. O que a seguir pretendemos apresentar são as 5 espécies de flora vascular exóticas invasoras existentes nos Açores que, segundo a bibliografia disponível, são consideradas as mais perigosas, não desconsiderando, obviamente, outras espécies igualmente perigosas, no entanto, são estas as que apresentam maior amplitude de distribuição em toda a região, taxa de ocupação e regeneração maior, estando também incluídas em listas europeias e internacionais como espécies preocupantes para a conservação da natureza.

Arundo donax (Cana)

É uma espécie de flora vascular que invade, maioritariamente, as áreas litorais. Extremamente competitiva, de crescimento rápido que, associada à sua capacidade de reprodução vegetativa, faz com que seja uma espécie invasora extremamente agressiva, impedido o desenvolvimento da vegetação nativa. Além disso, é uma espécie cuja eliminação exige a total remoção de todos os rizomas de modo a impedir a recolonização.

Hedychium gardnerianum (Roca, Roca-velha)

Reconhecida pelas suas inflorescências amarelas, esta espécie é extremamente competitiva através da disseminação das suas sementes pelas aves. Os fortes rizomas que apresenta, tornam-na altamente competitiva distribuindo-se rapidamente e tornando-se dominante, principalmente em zonas degradadas onde foi destruída a integridade das comunidades nativas.

Pittosporum undulatum (Incenso)

Introduzida nos Açores com o intuito de servir como sebe de proteção a culturas agrícolas, rapidamente se tornou uma espécie invasora devido à sua capacidade de propagação vegetativa ou através da disseminação das sementes pelas aves. É comum observá-la em comunidades costeiras de Morella faya (Faia).

Hydrangea macrophylla (Hortência)

Reconhecida pelas sebes floridas de azul e branco nas bermas das estradas açorianas, a hortênsia foi trazida para os Açores exatamente com esse propósito – embelezar jardins e estradas. Reproduz-se maioritariamente de forma vegetativa e possui grande capacidade competitiva encontrando já em muitas áreas protegidas, contudo, o principal disseminador desta espécie foi o Homem.

Lantana camara (Lantana)

Outra espécie trazida para os Açores devido à sua beleza e impressionante capacidade de apresentar flores durante praticamente todo o ano, este arbusto de aroma forte e ramos repletos de espinhos rapidamente escapou dos jardins ornamentais e, representa agora, uma ameaça à biodiversidade açoriana. É uma espécie de colonização agressiva, de grande capacidade competitiva, e com uma produção anual de milhares de sementes por planta.

 

Fotografias: PHSilva//siaram


O LIFE IP AZORES NATURA junto das escolas da Região

06/01/2021 - SRAAC
O LIFE IP AZORES NATURA – Proteção Ativa e Gestão Integrada da Rede Natura 2000 – é o primeiro projeto integrado português aprovado na União Europeia e o maior e mais abrangente plano de conservação alguma vez concebido para os Açores.
Este contempla trabalhos de conservação em todas as ilhas da Região, nomeadamente dentro das áreas classificadas da Rede Natura 2000. Os trabalhos previstos nas áreas de intervenção, além das ações de restauro dos habitats, que passam pelo controlo de espécies exóticas invasoras ou pelo reforço das populações endémicas existentes, incluem também a monitorização da evolução dos resultados destas mesmas intervenções. No Projeto está ainda previsto o acompanhamento do estado de conservação das aves marinhas nidificantes no Arquipélago, como a espécie 𝘊𝘢𝘭𝘰𝘯𝘦𝘤𝘵𝘳𝘪𝘴 𝘣𝘰𝘳𝘦𝘢𝘭𝘪𝘴 (cagarro), bem como um programa de monitorização da população de 𝘕𝘺𝘤𝘵𝘢𝘭𝘶𝘴 𝘢𝘻𝘰𝘳𝘦𝘶𝘮 (morcego dos Açores).
O LIFE IP AZORES NATURA contribui, assim, para a preservação de um património natural único, que todos os dias se encontra ameaçado quer pela ação do Homem, quer pela ação invasora de espécies exóticas que provocam graves desequilíbrios nos ecossistemas.
Como forma de sensibilizar a comunidade escolar para o reconhecimento do valor da conservação das áreas da Rede Natura 2000 e para o seu potencial como instrumento do desenvolvimento sustentável da Região, o projeto LIFE IP AZORES NATURA prevê, no corrente ano letivo, a dinamização de um conjunto de atividades direcionadas aos alunos a partir do 3.º ciclo, no âmbito do programa Parque Escola. Estas atividades incluem a apresentação de uma exposição do Projeto que aborda os principais objetivos e campo de ação do mesmo e, também, um conjunto de ações outdoor em todas as ilhas, onde os alunos têm a oportunidade de visitar áreas da Rede Natura 2000 e conhecer as suas particularidades. A oferta Parque Escola é ainda composta por diversas atividades que vão ao encontro dos objetivos deste projeto, como as ações de sensibilização sobre cagarros e morcegos.

O Balanço de mais um ano de LIFE IP AZORES NATURA

04/01/2021 - SRAAC

No passado dia 1 de janeiro o LIFE IP AZORES NATURA assinalou mais um aniversário, hoje, como forma de comemorar essa data, e fazendo o balanço de mais um ano, divulgamos o nosso vídeo de aniversário.


Mais do que um ornamento natalício

29/12/2020 - SRAAC

O Ilex azorica (azevinho), é um arbusto perene com folhas verde escuras e frutos vermelho que tornam o seu aspeto característico e fácil de distinguir entre a floresta Laurissilva. Historicamente, o azevinho teve inúmeros usos, como é o caso da alimentação ao gado, moldando, desta forma, alguns aspetos da paisagem açoriana, nomeadamente, algumas pastagens. Quanto ao seu estatuto de proteção, o seu uso para alimentação de gado que ainda hoje permanece, aliado à ocupação do Homem em locais onde, normalmente, ocorreriam azevinhos, a ameaça silenciosa de espécies invasoras e o risco de hibridação ainda pouco estudado tornou esta espécie vulnerável. Mais do que um ornamento natalício conhecido por todos o azevinho é uma espécie endémica extremamente importante no ecossistema açoriano, servindo de alimento a inúmeras espécies e, inclusive, ao Priolo (Pyrrhula murina) (espécie-alvo do projeto LIFE IP AZORES NATURA) que se alimenta quase exclusivamente dos botões florais do azevinho no início do Inverno quando a abundância de alimento é pouca.

Por estas razões, e pela sua vulnerabilidade, esta espécie requer, por todos nós, um cuidado especial.



O projeto LIFE IP AZORES NATURA (LIFE17 IPE/PT/000010) é financiado pela União Europeia através do Programa LIFE
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